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Encontrar tempo entre os fazeres e os correres da grande metrópole, sair do metrô na Praça da Sé em São Paulo como quem sai de uma caverna e enxerga o sol, que se abre para uma sexta-feira desempregada, os altos edifícios, as pessoas a ficarem por ali falando, dormindo, pedindo, olhando. Olhar novamente uma ruela para pedestres, e rever nela as belezas mistas do clichê entre velho e novo, entre lojas fixas e ambulantes, entre artistas mercadores e intervenções gratuitas, num misto natural acrescido com o crescimento dessa cidade, da pavimentação suja e antiga com o mármore preservado de fachadas antigas ao concreto curvo do moderno da Praça do Patriarca.

Visitar um museu é encontrar-se num paradoxo desempregatício do tempo livre. Do trabalho que parece ser tempo livre expresso na tela pintada e no metal esculpido, ao tempo livre forçado de estar sem trabalhar. Tempo livre trabalhado do artista, em formas cubistas e surrealistas de uma arte espanhola moderna no Centro Cultural Banco do Brasil, aqui em São Paulo. Tempo livre nosso, desocupado expectador do tempo livre trabalhado do artista de outro tempo. Exercer nosso olhar crítico, ou apenas apreciador desse trabalho tão bom que nos parece até brincadeira.

Mas tivemos oportunidade de ver de perto obras de artistas espanhóis, da trajetória de Picasso à contribuição de esse e outros artistas, como Dalí e Miró fizeram para a arte. Expandindo os nossos sentidos de artista, entra-se de sala em sala para olhar trabalhos e transcender no tempo junto a eles. Pensa-se no momento do traço ao final da obra, na marca do pincel à tinta que começa a craquelar.

E se para-se para pensar, longe dessa nossa atual dinâmica de passagem de tempo, essas obras nem são tão antigas assim, afinal trata-se do século XX, das dinâmicas de absorver a realidade em contra partida à exposição da suprarrealidade por esses artistas, brincando com signos, símbolos e figuras para contação de histórias de monstros e tragédias, exploração do subconsciente e do mundo dos sonhos, e a materialização do impossível em metal e sombras.

 

Por Sabrina Vieira
Arquiteta – SP


 

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