twitter facebook instagram

mobi-01-01-01

Uma medida errada do governo federal, que contribuiu para o agravamento dos problemas de mobilidade urbana, mas que incentivou o consumo de produtos foi a redução do IPI, principalmente sobre os carros. Hoje a situação está caótica e a solução não está no legislativo, está na dinâmica urbana e no desenho, ou melhor, redesenho urbano.

A questão do carro como grande vilão da mobilidade é justificada pelo o uso prioritariamente dele por somente uma pessoa, o carro se transformou numa bolha fechada que consome espaço demais e seu uso deve ser moderado. A questão é que não podemos simplesmente largar nossos carros e condena-los ao ferro velho. Tornar o carro como algo proibitivo não é o melhor caminho para nós, pelo menos não agora.

Sim, o caos da mobilidade é culpa do carro, pois demos muito espaço para ele. Os demais modais perderam espaços, foram se tornando menos atrativos e cada vez mais apertados e desconfortáveis. Somos humanos, não sardinhas. Cabem aqui algumas provocações para minimizar esse caos, a curto, médio e longo prazo.

A curto prazo, seria utilizar o carro de maneira mais inteligente e aumentar a densidade de uso, ao invés de levar uma pessoa, que se leve três, quatro amigos, já que hoje os carros vêm com até sete lugares. Em nossas cidades maioria da infraestrutura e concentração de serviço está nas áreas centrais da cidade. Portanto leve seus vizinhos ao trabalho deles. Dê carona e rateie a gasolina. Ou simplesmente valorize o comércio local do seu bairro, compre seu pão na padaria da esquina e vá a pé.

A médio prazo é preciso realmente discutir maneiras de como se locomover na cidade fomentar o uso de outros transportes, retirando o espaço de carros, para ciclovias, mas que sejam seguras e portanto transitáveis, assim fomentando uma cultura cicloviária e melhorando a qualidade de vida das pessoas, pois além de um ótimo exercício físico é muito mais rápido que uma galinha em São Paulo. E é preciso que, além que essas mudanças estejam ocorrendo, o poder público leve a sério o planejamento urbano sem se abster das responsabilidades e repassá-las para a iniciativa privada, que só visa especular com a terra urbana. Só quando é exigida, realiza como contra partida da outorga onerosa uma pracinha sem qualidade espacial. Pois parece que os poderes públicos sempre estão numa corrida tentando corrigir a falta de planejamento e só piorando as coisas.

Por fim, a longo prazo, uma mudança no zoneamento das cidades para que, com o tempo, a dinâmica urbana se modifique e a quantidade de serviços na cidade seja distribuída de maneira mais igualitária, portanto não seria preciso realizar grandes deslocamentos na cidade, implante o zoneamento de uso misto, onde for favorável. Pensar de maneira integrada vários modais de transporte é outra solução. Por exemplo, o metrô interligado as linhas de ônibus e por sua vez as ciclovias.

Seja o metrô, sistema BRT ou ainda o VLT é preciso tempo de um planejamento de projeto integrado e discutido por todos, respeitando e dando tempo ao arquiteto urbanista de realizar bons projetos e assim valorizar as cidades. Cabe a nós pensar nas medidas possíveis.

Por Rogério Guimarães Misk Filho
PUC MINAS

 


 

Quer complementar ou criticar este texto? Envie seu artigo para o Arquipélago.

 


Ouça o podcast #ZERO sobre arquitetura hostil.

favelasprojetadas2-01itunes-logo



Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *