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A fotografia, algo que modificou bastante as nossas vidas. Hoje é possível congelar o momento do segundo na eternidade, com um simples botão. Mas será que é possível retratar a cidade a partir da fotografia?

As cidades estão cada vez mais rápidas, voláteis e pulsantes de vida. Regidas pelo tempo da maquina e da velocidade, tal como o filme “Metrópolis” de 1927, ou a república de Star Wars. Em seu livro “Saber ver a arquitetura”, Bruno Zevi nos expõe uma crise da representação de projetos. Desde o início com o surgimento das plantas e cortes, passando pelo avanço cientifico da perspectiva, a fotografia e depois o movimento cubista junto com cinema até chegarmos hoje com os modelos 3D feitos pelos computadores. Acredito que a boa arquitetura não é só aquela que se mostra bela e harmoniosa na paisagem mas também é aquela que é utilizada pelas pessoas.

Sei que é uma visão um pouco idealista, mas a arquitetura por si só não existe mais, nunca existiu, ela esta conectada a um lugar e a uma cultura. Portanto a fotografia não nos dá a real vivência da arquitetura e nem da cidade. Os edifícios nas cidades são retratados assim de ângulos que favoreçam sua grandeza e principalmente, sem uso, sem a ocupação de pessoas.

Por isso desde o inicio do projeto, até mesmo no estudo inicial devemos ter em mente quais são as apropriações das pessoas no espaços. E não tratar o espaço como um retrato idealizado de pessoas andando pelo projeto. Não existe mais o indivíduo de 1,70 metros. Devemos retratar, por exemplo, crianças jogando bola no campo de futebol, dando pulos de bomba na piscina. As pessoas cozinhando, fazendo e comendo pipoca, assistindo ao filme. Trazer o ordinário para a arquitetura.

Além disso, fotografias retratam instantes que podem sugerir o movimento das pessoas, uma continuação daquele instante eternizado, mais nada melhor do que uma sequência delas: um vídeo. Nele é possível perceber os sons, apropriações e perceber um lugar de maneira muito mais completa. Visto que os primeiros filmes do cinema retratam mostrando o movimento da cidade, a partir de uma filmagem da traseira de um veículo.

A fotografia, sim pode ser um instrumento interessante para o projeto de arquitetura, mas também para mostrar a vida de um lugar e projetar a partir daí. Acho que o vídeo e o cinema são instrumentos interessantes como uma ferramenta de projeto. Numa cidade que vivemos, um local cada vez mais rápido e dinâmico e que infelizmente não cabe em um fragmento de segundo, mas em vários sobrepostos.

Por Rogério Guimarães Misk Filho
PUC MINAS

*Foto: Alex Megremis

 

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Ouça o podcast #ZERO sobre arquitetura hostil.

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