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As cidades, casas, edifícios, espaços entre os edifícios, ruas, parques, praças e favelas. Todos esses e outros espaços das nossas cidades deveriam ter a mão do arquiteto urbanista. O arquiteto urbanista é um profissional que estuda por cinco anos, no mínimo, para solucionar problemas espaciais e transformar meros espaços em lugares.

O modernismo, na sua essência, buscou criar lugares com espaços livres sob os edifícios e lógicas espaciais diferentes das cidades coloniais. Dissolvendo a barreira do edifício e trazendo o espaço público para as edificações. No entanto, já passada a era do modernismo, hoje as cidades cresceram e geraram problemas grandes demais. De enchentes a favelas, congestionamentos, obras desnecessárias e uma malha urbana espraiada pelo território.

Acredito que é uma via de mão dupla de responsabilidades para deste cenário. Primeiro o Estado que não valoriza e não dá a devida atenção ao arquiteto no que tange a produção na cidade, como por exemplo, a construção de um viaduto que somente serve ao sistema rodoviarista e um complexo sistema de corrupção e desvio de dinheiro público. Aos arquitetos acredito que, diante da sociedade, têm uma imagem de ser um profissional para poucos, quem pode arcar com os custos não só de projeto, mas também da construção da obra.

Enquanto isso, as cidades crescem, as favelas estão aí. Além disso, grande parte das nossas cidades foi construída sem arquitetos. Acredito que precisamos valorizar o arquiteto e os profissionais devem lutar por isso, exigindo, por exemplo, o piso salarial que corresponde a seis salários mínimos. Faça as contas, os recém-formados ganham isso? No entanto para que possamos trabalhar para todos acho que devemos discutir formas diferenciadas de cobrar o nosso trabalho. Afinal o seu Zé não pode arcar com um projeto.

Inclusive, acho que todos deveriam entender a importância do arquiteto, enquanto sociedade, a fim de evitar tragédias como as de Nova Friburgo e Petrópolis. Tentar quebrar essa imagem de que o arquiteto é um profissional inalcançável e elitizado. Pois mesmo grandes arquitetos de importância nacional realizaram projetos para pessoas pobres, como o projeto de redondinhos de autoria de Ruy Ohtake. O arquiteto deve se aproximar do ordinário, das picuinhas do dia a dia, pois, mesmo sem o nosso trabalho a cidade continua, a cidade não para e o mercado esta aí.

Por Rogério Guimarães Misk Filho
PUC MINAS


 

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Ouça o podcast #ZERO sobre arquitetura hostil.

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