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Autora do livro “Morte e vida das grandes cidades”, já na década de 60 escrevia sobre a cidade, realizando criticas sobre a cidade jardim de Ebenezer Howard e toda a lógica espacial da setorização. A setorização mono funcional mata a vida das cidades. JACOBS retrata a vida nas cidades de maneira simples e apreende aspectos importantes da cidade. Seja uma rua com recuo nas fachadas possibilitando as crianças brincarem sob a vigilância dos pais sobre a rua, ou ainda o uso do pano de vidro sobre as fachadas norte das edificações voltadas para praças para que elas recebam luz durante o dia e sejam apropriadas.

De certa maneira as ideias de JACOBS trazem de volta algumas ideias das cidades barrocas, dentre elas a ideia de que a cidade é usada por e para pessoas. As cidades devem ser caminháveis e por tanto ter curtas distâncias e múltiplas escolhas de trajeto, JACOBS estipula quarteirões de até 100 metros.

No entanto há dois fatores que hoje entram em cena, a ciclovia e a requalificação das vias. A ciclovia, juntamente com a presença de arborização e de mobiliário torna as caminhadas mais longas e agradáveis, transformando calçada não como um espaço de passagem, mas como lugar de permanência.

Outro ponto para a redefinição das cidades seria a de fomentar múltiplos usos numa mesma área e juntamente com isso, a alta densidade. Tais pontos criam fatores de atração seja pela multiplicidade de lugares e a possibilidade de não perder tempo com longos deslocamentos, seja pela presença de pessoas suficientemente alta para suprir a demanda de utilização. No entanto a alta densidade , quando não é dosada, é uma ação urbana ambígua, como uma faca de dois gumes.

Pois se por um lado há mais pessoas vivendo em um mesmo espaço e dividindo os encargos e impostos, além de minimizar o espraiamento e a tornando a cidade de gestão menos complexa, por outro lado há um acúmulo, uma concentração de pessoas e carros que sobrecarrega a capacidade de absorção da infraestrutura já instalada, desde tratamento do esgoto até o tráfego de veículos. Dependendo da densidade, a escala da paisagem urbana se saindo da escala do olhar humano e limitando o contato das pessoas com o espaço público.

E por ultimo, um ponto se refere a presença de tempos diversos num mesmo espaço. A cidade apresenta edificações de diferentes épocas que estão presentes e se relacionam no espaço físico próximo. Nesse ponto, a cidade é tratada como uma série de camadas de tempos e períodos históricos que se sobrepõe. De tal maneira que as edificações têm tempo hábil para gerar fatos e acontecimentos e gerem memorias coletivas, mas também memórias particulares. Evitando assim sucessivas transformações que trazem a questão do novo e moderno sem o devido reconhecimento das pessoas sobre o espaço construído. É aconselhável não somente preservar, mas reutilizar espaços antigos reabitando seus espaços sem com que se perda a essência de sua história.

Portanto todos os pontos aqui relatados estão interligados entre si e foram reformulados para o período de hoje, nas devidas proporções e sem perder a essência da análise que JACOBS realizou sobre a vida nas cidades.

Por Rogério Guimarães Misk Filho
PUC MINAS


 

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