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As cidades são palco de festas, manifestações, disputas espaciais, encontro amorosos e amigáveis. No entanto no dia a dia das cidades os espaços públicos ficam restritos as praças.

As praças antigamente tinham um papel muito importante. Desde os tempos antigos ela foi o local da troca de informações, de mercadorias, local de permanência e vida urbana. Tanto que no início do século passado as praças eram tomadas por jovens casais de namorados que sob a vigia de todos podiam conversar, trocar juras de amor e tomar um sorvete.

As praças eram mais ativas antigamente, pois a vida era mais lenta, a escala da cidade era mais humana e não havia tantas opções de lazer. Já em nosso tempo a perspectiva do quadro mudou, o tempo se acelerou as pessoas vão de casa para o trabalho num movimento pendular muito rígido. Os elementos que não mudaram foram as praças: elas continuam lá.

As cidades mudaram, os prédios modificaram a paisagem urbana e as praças se tornaram um refúgio do stress da cidade, um lugar em que é possível sentar e respirar. As praças enquanto espaços públicos dignos só foram resgatadas após o período militar, com a redemocratização, visto que durante esse período a praça como espaço de encontro foi totalmente abandonada, visto como algo subversivo.

As praças podem ser analisadas de duas maneiras: A sua qualidade espacial e a sua capacidade de atrair as pessoas como complemento de outros usos. No que se refere à qualidade espacial, a praça para ser utilizada deve ter dimensões agradáveis para o humano e não ser reduzida a uma rotatória de carros que expulsa as pessoas, além disso, há a questão do mobiliário que deve ser durável que permita a permanência. Ninguém fica numa praça com os bancos quebrados ou sujos. A arborização também é um fator importante, pois num clima como o nosso um lugar a sombra é convidativo.

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Praça da Liberdade – BH – Foto: Eduardo Santos

Uma estratégia para o uso das praças é trazer-lhes usos que atraem pessoas. Como demostrado no Livro de Jan Gehl “cidades para pessoas” combinar um café a um espaço publico naturalmente atrai as pessoas fazendo com que o café aberto para a praça seja um espaço de transição muito tênue entre o espaço privado e o público. Como exemplo, em Belo horizonte, há a praça da liberdade que é circundada por museus; as antigas secretarias do Estado. Fica claro que uma praça, por si não é mais capaz de atrair movimento, no entanto recentemente as pessoas tem se preocupado com a saúde e atividade física e as praças veem para suprir parte da demanda.

As praças guardam um potencial latente e caso se queria ter uma cidade agradável, é preciso fomentar as mudanças e trazer as praças de volta a vida das cidades, mas antes precisamos nos desconectar do facebook e do whatsapp.

Por Rogério Guimarães Misk Filho
PUC MINAS


 

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