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A cartografia por excelência permite a representação de informações em mapas. Na produção desse conhecimento podemos filtrar as informações que colhemos para representa-las em mapas. Mapas de topografia com os cursos d’água, mapas com a ocupação urbana sobre o território ou até mesmo mapas sobre a altimetria dos prédios de um determinado trecho da cidade. Os mapas carregam informação, a representação da presença humana sobre o espaço.

A cartografia é capaz de mostrar apropriações das pessoas sobre o espaço, mas também pode representar o que aquele espaço pode ser. Os mapas sobre os parâmetros urbanos trazem essa questão. Essa cartografia, a partir do controle do planejamento, revela uma paisagem em longo prazo da cidade. Quando por exemplo, determina o potencial construtivo das edificações e os afastamentos, gera em longo prazo uma paisagem urbana referente à percepção da escala.

No entanto a cartografia é uma espécie de ferramenta que planeja a cidade de cima para baixo, sem a participação da população. A produção de mapas nada mais é do que um instrumento de planejamento que é insuficiente para retratar a realidade. Ainda mais em porções não planejadas da cidade: as favelas e aglomerados.

Partindo dessa premissa a cartografia passa a ser uma ferramenta de mobilização, quando os mapas são realizados em aglomerados com a participação e envolvimento com a população nos dá um retrato mais fiel da realidade. Além de mostrar que as pessoas vivem naquele espaço informal e como é a realidade ali. O mapa em si não traz nada, mas quando ele é produzido como uma ferramenta de mobilização é capaz de dar visibilidade as questões dentro das favelas e aglomerados.

Assim fica visível os desejos e anseios da população que vive na informalidade por falta de planejamento em nossas cidades. A produção de mapas assim é capaz de evitar desapropriações ou desmembramento das comunidades. O conhecimento ao invés de ser de cima para baixo é compartilhado de maneira horizontal e por todos.

As cidades sendo fruto de pressões econômicas, ambientais e sociais sempre está em transformação tais como os mapas que pouco tempo depois estão desatualizados. Portanto é um campo aberto que serve de mobilização e reinvindicação constante no que se refere à questão habitacional e o atual padrão de minha casa minha vida que visualmente esconde as vilas e interrompe uma lógica espacial e não traz nada de novo relacionado à vida urbana nas comunidades.

É vital ter um pensamento critico e rever as politicas públicas de habitação sendo a cartografia uma ferramenta relevante para o início de uma mudança no que se refere ao planejamento urbano.

 

Por Rogério Guimarães Misk Filho
PUC MINAS


 

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