twitter facebook instagram

favelasprojetadas

A cidade de São Paulo, incluindo sua nebulosa metropolitana está com seus 20 milhões de habitantes, de acordo com o IBGE. É 1000 vezes o que o urbanismo teorizou no início do século XX – as cidades não deveriam exceder 20 mil habitantes e a medida em que a expansão populacional fosse necessária, construiria-se outra cidade. Hoje temos cidades grandes demais, difíceis de administrar, com carros demais, distâncias grandes a serem percorridas e rios canalizados.

A questão da mobilidade é uma questão essencial. Nossas cidades foram e são regidas pelo urbanismo modernista, onde há zonas com determinados usos. Com a separação da cidade em funções: Morar, trabalhar e lazer a função de locomover surge para que se possa transitar entre as zonas e portanto tem sua importância no planejamento urbano. Seja por falta de planejamento e projeto urbano ou de vontade política, a mobilidade se tornou um privilégio. Ora quem vive nas áreas centrais têm uma série de vantagens, como infraestrutura eficiente instalada, grande quantidade de comércio e serviços próximos e equipamentos de uso coletivos em grande quantidade. Tais vantagens permitem que tudo seja feito a pé. Diferente de quem vive nas periferias e enfrenta 2 a 3 horas de trânsito para chegar ao seu trabalho e mais 2 horas para voltar para casa.

Essa é a consequência da falta de planejamento em mobilidade: Perda de desempenho no trabalho. São perdidas horas de trabalho somente no trânsito, sem contar no desgaste físico e mental de quem vive nas periferias e trabalha no centro. É simples, as empresas perdem, o governo perde e, portanto todos perdem. Sem contar nos prejuízos ambientais com a poluição sonora e atmosférica.

O que faz com que os congestionamentos aumentem cada vez mais e piorem a qualidade de vida nas cidades é o uso abusivo e indiscriminado do transporte individual: O carro. O carro tem uma carga simbólica muito forte pois representa uma liberdade de transitar pelo meio urbano. É possível pegar o carro ir para onde quiser sem depender de horário ou trajeto fixo. Simples assim. O carro também carrega a imagem de status social: pouco importa se a pessoa está presa no congestionamento se ela tem um carro com ar condicionado, radio stereo, vidro com insufilm preto, mil cavalos de potência (nunca utilizados)e o tamanho de um monstro. O carro cria uma bolha que exclui tudo o que acontece do lado de fora. Inclusive os pedintes do sinal. A questão aqui não é proibir o uso do carro e impedir que se comprem carros, pois isso é uma afronta à liberdade. O que deve ser feito é tornar o automóvel menos vantajoso do que outros meios de transporte.

Além disso, o carro é um devorador de espaço público, devorador de rua e asfalto, concreto e aço, pois ele sempre pede mais espaço. Por exemplo, abre-se uma nova avenida ou um viaduto para descongestionar uma região da cidade. Não funciona, pois em um curto período de tempo aquela região fica de novo congestionada. Pois à medida que se dá mais espaço para o carro, maior será o consumo e compra de automóveis, entupindo novamente as ruas. É um ciclo vicioso que está cada vez mais rápido por causa medidas de incentivo para compra de carros implementada pelo governo.

Como solução para o problema no horizonte, a utilização de um maior leque de modais de transporte, como ônibus, metrô, bike, skate, monotrilhos, VLT’s e BRT’s. Mas não somente ter esses modais nas cidades. É preciso que haja conectividade entre os modais, formando uma verdadeira rede de trânsito, pois a atual rede e o atual modelo falharam. Por exemplo, seria possível embarcar em uma estação de metrô com uma bike em mãos, descer na próxima estação e seguir de bike pela ciclovia. Essa solução me parece muito mais rápida e barata do que um metrô dispendioso, demorado e sem qualquer conexão com o espaço urbano como um todo.

Assim a pessoa tem escolhas, ela pode simplesmente escolher deixar o carro em casa e usar outros modais. É preciso planejar, e ter projeto urbano visando ligação dessa rede, isso deve ser feito logo, pois as consequências são sentidas por todos. Uma avenida ou viaduto a cada 4 anos não dá mais.

 

Por Rogério Guimarães Misk Filho
PUC MINAS


 

Quer complementar ou criticar este texto? Envie seu artigo para o Arquipélago.

 


 



Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *