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Rubens Meister (1922-2009), foi engenheiro, vale citar que ele não era arquiteto, mas foi o responsável pela criação do Curso de Arquitetura e Urbanismo da UFPR,e influenciou gerações. Criou verdadeiros marcos da cidade e da arquitetura nacional como os Teatros Guaíra e da Reitoria da UFPR e Rodoferroviária. Foi também o principal precursor de um dos momentos mais importantes da cultura paranaense: trouxe o Movimento Modernista para a cidade, movimento este, que elevou o Paraná como modelo de urbanismo à nível internacional, e o tirou da imagem de estado produtor de café. Hoje podem não existir construções tão representativas na cidade que a tornem uma referencia de movimentos arquitetônicos, mas Curitiba ainda mantém o posto de “Cidade Modelo”.Graças a sua iniciativa e ousadia, outros arquitetos como Artigas e Lolô Cornelsen foram impulsionados e ganharam espaço na cena local.

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Rubens Meister aos 25 anos projetou, concorreu e ganhou o concurso para o Teatro Guaira.

O modernismo surgiu com características de estilo severo, estritamente racional e econômico, mas com acabamentos resistentes e elegantes. Tais características se fazem presentes nas varias obras de Meister. “Era rigoroso na construção e no conforto, embora avesso a luxo. Tinha escrúpulo. Basta sentar numa das salas do Centro Politécnico para saber(…).” (Gnoato,2009). Não concordava com o “modernismo brutalista”, pois achava um excesso de concreto desnecessário.

Rodoferroviária de Curitiba (1972)

Em sua fase inspirada por Mies Van Der Rohe e Le Corbusier, construiu os prédios públicos da Sede da Prefeitura do Paraná, da Celepar, entre outros conseguindo absorver a essência do Modernismo surgido na Europa, mais especificamente, do período das décadas de 1920 e 60, que havia atingido um nível construtivo e ideológico mais alto, o que levou à construção de espaços mais geométricos, sem ornamentos, abstratos e mínimos. Ao mesmo tempo, Meister soube utilizar as tecnologias construtivas existentes no Brasil e aplica-las de maneira inteligente nas suas obras.

Fachada do Teatro Guaira

Inspirado no Illinois Institute of Technology (1939-1958), de Mies Van Der Rohe, Meister realizou um grande projeto com características parecidas com a linguagem utilizada por Mies. O prédio do Centro Politécnico da UFPR (1956) segue a proposta semelhante: a implantação por blocos distintos, suas esquadrias modulares, a forma seguindo a função com o minimo, dando a unidade arquitetônica necessária ao projeto. Os volumes prismáticos de Mies serviram como um símbolo do Modernismo, suas caixas de vidro, tomaram proporções maiores do que as residências criadas por Le Corbusier, ganharam os Edificios, como foi o caso do Seagram Building (1958), em New York.

Campus Illinois Institute of Technology ITT, Chicago, Mies van der Rohe

Ao adotar a disposição dos edifícios em lâmina e o uso do vidro característico de Mies, Rubens soube trazer a linguagem do Campus de Illinois para o Campus Politécnico com identidade própria e de maneira atemporal.

Centro Politécnico UFPR ,Curitiba, Paraná, Rubens Meister, (1956)

Ao longo de décadas, Curitiba constituiu uma amostra de tendências modernistas, marcadas pelo Plano de Urbanização de Agache (1943), como o Centro Cívico da Capital, o prédio da Prefeitura, e o Centro Politécnico da UFPR, que representaram a fase tecnológica e icônica da cidade. Injustamente, Rubens não é tão lembrado como um grande nome da Fase Modernista Brasileira, aliás, Curitiba muitas vezes é deixada de lado quando se fala de Modernismo Brasileiro. Rubens Meister, que trabalhou influências além de Mies, como F. Lloyd Wrigth, é importante figura para a arquitetura nacional e criou uma identidade local para Curitiba, o que faz de sua obra um clássico Moderno.

WCT_11 de setembro de 2010_0006

Por Isis Casarotto
PUCPR


 

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