twitter facebook instagram

 

Artigas e a Poética Concreta da Liberdade02

Cem anos de um dos arquitetos mais inspiradores. Artigas, que admirava os poetas, mas era bem um poeta, e, com suas palavras e seus projetos, até hoje nos faz transpirar inspiração e chorar um desejo líquido por uma revolução na arquitetura, na educação e na política.

vilanova-artigas_telmo-porto1

Existe arquiteto que se encaixe mais no tema de tempo livre do que Artigas? No seu cantinho rabiscando suas ideias, fumando seu cigarrinho, divagando entre os pesos do mundo. Com sua poética expressa em rampas de pura contemplação, aberturas de novas perspectivas, e cantos revolucionários de pontos de apoio? Talvez não. Uma arquitetura essencialmente da LIBERDADE. Essa é a obra de Artigas, e seu legado para nós.

272

Um dos importantes membros no movimento da autonomia profissional do arquiteto hoje (e ainda sendo conquistada) – “arquiteto é arquiteto e não engenheiro”. Além de propor reformas na grade do curso de arquitetura e urbanismo, também ajudou a criar a  faculdade de arquitetura e urbanismo da USP, bem como deu a forma mais icônica do país à mesma faculdade de arquitetura e urbanismo (FAU USP).

hires_Garagem-de-Barcos-1961-_1_

Icônica por ser um marco para esse momento histórico profissional e acadêmico da arquitetura. Sem floreios, bruta, uma caixa aberta e cheia de luz onde não existe entrada, nem saída, “só deuses entram na FAU”. Onde, dentro, as ideias são livres e compartilhadas, com um olhar tudo se alcança e com percursos leves, enquanto se contempla arredores, a todo lugar se chega. Onde tudo dá certo. E que até a gravidade parece dar licença para que tudo aconteça. “Um manifesto concreto dos ideais” de Artigas. (ocupação Vilanova Artigas, SP)

 “Se dependesse dele tudo sempre daria certo”
Paulo Mendes, Documentário Vilanova Artigas Arquiteto e Luz

Arquiteto Humanista

Todos os arquitetos têm referências. Pois, já diziam meus mestres, em tantos anos de história da arquitetura é quase impossível projetar algo completamente novo. Aqueles considerados referências arquitetônicas são muito , mas poucos têm a criatividade sensível, humilde e humanista que precisa estar interiorizada num arquiteto. De entender o homem como objetivo, não apenas como objeto de estudo; o mundo como algo a ser projetado sobre relações humanas, ainda utopias, mas sempre palpáveis – para os sonhadores de pés no chão; e o cuidado para apoiar um projeto numa cidade. A arquitetura como meio de transformação do mundo, da cidade, do homem.

artigasfau

E que, enfim, ao colocar-se na sua cadeira, à sua área de trabalho e enxerga antigos ícones como referências e outros conhecimentos aos quais a arquitetura margeia e os veste com esses seus novos ideias, que se encaixam à sua época e à sua necessidade.

Como colunas gregas cujos os pontos de apoios cantam, assim como os pontos de apoio de Artigas. Como o interior que se confunde com o exterior. Como na ausência do revestimento como expressão de uma ideia e evidência dos esforços. Como a casa, cujo programa, ao ser posto em discussão sobre vida social doméstica, resulta em espaços reorganizados.

Os ícones de Artigas, também são os ícones de muitos outros novos arquitetos, será que entre os arquitetos já temos outros Artigas, pessoas universais, livres no pensamento e revolucionárias polivalentes? Precisamos continuar trabalhando no que pessoas como Artigas acreditavam e continuar lutando como pessoas como Artigas, com aquele otimismo, a convicção de que tudo vai dar certo.

 

 

Por Sabrina Vieira
Arquiteta – SP

 


 

Quer complementar ou criticar este texto? Envie seu artigo para o Arquipélago.

 


 



Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *